Sejam todas bem vindas, sejam todos bem vindos, sejam todes bem vindes à 1 Marcha do Orgulho Trans de São Paulo. Orgulho trans é isso, é vida, é arte. vida, é arte é cultura e é política aqui se faz arte se pensa cultura fazendo política. Vida trans é isso é arte cultura e política. PREEEEETA PRETA PRETA PREETA PRETA ÊTXA

Bem vindes à luta, à luta contra o patriarcado, à normatividade e essa narrativa desse povo trans que nós trans estamos reconstruído, ela começa exatamente por onde todo mundo achava que tudo isso ia terminar recomeça por nós mulheres, recomeça por nós mulheres PRETA Bem vindas manas cis e nós travestis, homens trans, somos nós os que foram invisibizades fomos, FOMOS mas enquanto todo mundo achava que a gente tava apagada, a gente tava vendo essa estrutura se montar, a gente tava vendo e montando enquanto essa normatividade circulava e a gente se escondia, a gente observava vocês, a gente via o que cada estava a fazer a gente tava vendo o homem branco cisgenero patriarcal resolvendo tudo apontando tudo apontado suas armas físicas e simbólicas contra nossos corpos, nós vimos tudo, nós vimos essa estrutura doente se construir sob nossas cabeças e é por isso que apenas nós poderemos desconstruir essa estrutura doente, apenas nós, porque nós vemos tudo de perto nós vemos tudo se construir sob nossas cabeças e é disso que estamos falando porque a branquitude, a branquitude é o patriarcado, branquitude não é um indivíduo, branquitude é um sistema que produz o indivíduo e o indivíduo que reproduz o sistema.

Essa mesma branquitude do patriarcado que sempre nos deixou na mão, que todos esses anos e séculos de ideologias. Sabe o que temos como resultado do poder do patriarcado? É GOLPE e é por isso que por um principio muito básico da democracia o povo preto travesti exige ALTERNÂNCIA DE PODER.

O novo marco civilizatório partirá desses nossos corpos porque nosso projeto é de amor nosso projeto é humanizador, é humaniza a dor, nossos passos vem de longe, vem muito antes da primeira diáspora nossos passos vem de africas, dos pretos que estavam lá em Africas, do pretos que ja estavam por ca na Américas nossos passos vem de longe, vem tbm dos navios negreiros, vem das senzalas, dos quilombos, nossos passos vem do quilombo dos palmares que era nosso único real e verdadeiro governo nossos passos vem de longe vem das amas de leite mulheres pretas que fizeram gente resistente e persistente, mas já diria o velho Riachão “esse negocio da mãe preta ser leiteira já encheu sua mamadeira vá mamar em outro lugar”. Nossos passos vem de longe, vem dos maracatus, vem dos capuleles, do samba ao samba, Nossos passos vem de longe e para longe nós iremos.

Nossos passos vem de longe, de muito longe, vem dos panteras negras da revolução haitiana, a maior revolução preta já existente, nossos passo vem do Malês nossos passos vem de longe vem também do emprego domestico do trabalho na construção civil, da prostituição, da moradia de rua, da luta pelas cotas do cárcere do craque nossos passos vem de longe e para muito longe nos iremos é sobre isso que estamos falando da alterancia de poder e reintegração de posse de todos os bens materiais e imateriais que nos foram saqueados. travesti não é bagunça. povo preto não é bagunça! é disso que estamos falando é sobre isso que estamos falando.

Nem um passo a menos nem um passo atras e vocês pessoas cis o povo branco que diz que esta ao nosso lado comecem a pensar profundamente sobre isso transfobia não é só chamar uma travesti de traveco racismo não é só chamar uma pessoa preta de macaco estamos falando de questões estruturais que fundamentam as desigualdades, estamos falando de um lugar de trabalho, comecem a contar dos lugares de onde vocês trabalham quantas travestis, quantos homens trans trabalham com vocês quantas pessoas pretas trabalham com você e se esses lugares não tem pessoas trans gente preta nesses lugares, esses lugares são lugares transfobicos e racistas e se você não faz nada sobre isso você tbm é põe a mão na consciência e vamos embora somos a forca raiz somos a força matriz somos a força motriz e a diretriz.

Nós somos como nossa Irma Angela Davis sempre nos disse “Quando as mulheres negras se movem o mundo inteiro se move junto” – ô gira deixa a gira girar deixa a gira girar oxalá Iemanjá e oxum deixa a gira girar axé baba – obrigada! é nóis! poder ao povo trans! poder ao povo preto!

É nóis e depois de nós é nóis de novo, até essa porra dessa balança se reequilibrar.

Axé!

ACERVO

VEJA O QUE ROLOU NA 1ª E  2ª EDIÇÃO DA
MARCHA DO ORGULHO TRANS DA CIDADE DE SÃO PAULO

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* USAMOS O ‘E’ EM ‘CONVIDADES’ (E O ‘X’ EM ALGUNS CASOS) COMO TENTATIVA DE INCLUSÃO DO GÊNERO NÃO BINÁRIO NA LÍNGUA PORTUGUESA E COMO ALTERNATIVA PARA A USUAL GENERALIZAÇÃO NO MASCULINO.